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Diário

07/12/2008 07h00
Descubra-se no silêncio
[...]"E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir." (Escutatória de Rubem Alves)
Bem vindo, querido leitor! Vamos continuar nossa reflexão?
Hoje, destaquei o trecho acima para conversarmos sobre a necessidade do silêncio e das breves pausas em nossas vidas.
Essa prática escassa e tão essencial a nossa existência permite-nos fechar os olhos para o exterior, abri-los para o nosso espaço interior e entrar em contato com nossa autenticidade e espontaneidade, duas virtudes que se perdem em meio a tantos dogmas que são impostos, pela família, sociedade, religiões e pelo sistema. Pensamos e repetimos padrões que nem sempre são nossos, usamos a verdade dos outros para justificar e defender idéias, que de nossas, não têm nada. É exatamente aqui que a necessidade do silêncio se faz mais forte. Para que nossos ouvidos se abram e ouçam nossas verdades, é preciso que nossas mentes estejam limpas e abertas ao novo.
É no silêncio que existimos e podemos encontrar nosso EU mais profundo, ouvindo a voz e os anseios da nossa alma. Após esse mergulho, voltamos ao nosso cotidiano mais seguros, mais certos de quem somos e do que queremos para nossas vidas.
O silêncio nos liberta do perigo de agirmos comandados pela massa e combina com autenticidade e redescoberta de si mesmo.
Descubra-se no silêncio!
Vou deixar um link para que você possa assistir à cena de um filme que gosto muito e que, por certo, vai elucidar o post de hoje.
Fechamos com chave de ouro com esta cena de "Lendas da Vida" :
http://www.youtube.com/watch?v=ss_Cq4HDh8M
Abraços e até breve!
Publicado por Juliana Gallicchio em 07/12/2008 às 07h00
 | Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Você deve citar a fonte: www.letradoce.com). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas. |

03/12/2008 23h48
Pense nisso...
Boa noite, querido leitor!
Embora cansada e com sono, resolvi passar por aqui para continuarmos esta reflexão sobre:
ESCUTATÓRIA DE RUBEM ALVES.
“Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto, que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião”
Geralmente, é isso que ocorre nos processos de comunicação. Seja no trabalho, na família, entre amigos ou no relacionamento amoroso, todos estamos dispostos a falar; ouvir, ainda é um desafio. O outro fala e nós já começamos elaborar uma complementação do que foi falado, isso quando não interrompemos a idéia.
E assim, continuamos a falar de mais e a refletir de menos, nos falta solidão e silêncio para elaborar as mensagens que recebemos. Ponderar e meditar à cerca delas é essencial.
Qual o motivo de nos sentirmos tão incomodados no silêncio?
Por que temos que falar e pensar o tempo todo?
Você acha que precisamos ter todas as respostas e certezas, sempre?
Pense nisso, para aprofundarmos, um pouco mais, posteriormente!
Até breve!
Abraços fraternos!
Publicado por Juliana Gallicchio em 03/12/2008 às 23h48
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01/12/2008 20h34
Vaidade
Querido leitor, que bom vê-lo por aqui!
Hoje vamos continuar nossa reflexão sobre o belíssimo texto ESCUTATÓRIA, de Rubem Alves.
Eis o trecho:
"Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos..."
O trecho acima, nos faz pensar à cerca da vaidade humana (da minha, da sua, da nossa vaidade). Ainda há pouco, a minha própria se manifestou e os resultados não foram muito positivos.
Geralmente, a vaidade vem acompanhada do orgulho e da soberba, esse "mix" causa o maior estrago nos relacionamentos. Nos faz exigir atenção, exclusividade, como se fossemos o centro do Universo. Embora não queiramos assumir, todos tivemos e temos momentos assim.
Não adianta falar: Não sou vaidoso! Preste atenção em si mesmo, nas suas reações, na sua capacidade de ouvir, de se expor e de receber uma crítica. Nossas reações dizem muito de nós. Precisamos estar alertas e inteiramente conectamos com o momento presente, caso contrário,as palavras que o outro fala, continuarão caindo no mar das nossas próprias e limitadas idéias, do mundo pequeno que construimos e que nos isola do TODO.
Abra sua mente, seu coração e seus ouvidos!
Abraços fraternos!
Publicado por Juliana Gallicchio em 01/12/2008 às 20h34
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28/11/2008 01h11
Mente vazia
"Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia."
Querido Leitor, vamos continuar com a "Escutatória" de Rubem Alves?
O trecho de hoje, chamou minha atenção para a frase destacada em vermelho. O que significa "cabeça vazia?" Eu arrisco dizer que cabeça ou mente vazia é quando nossos pensamentos estão calmos, relaxados e nos permite clareza.
Quando some toda aquela confusão mental, podemos experimentar a pausa, o silêncio e, simplesmente, SER. É neste momento que passamos a existir e nos sentir parte do TODO. Quando surge essa integração, qualquer lógica cede lugar aos sentidos e começamos a compreender que o essencial é sentir.
Estar pleno e conectado dispensa qualquer explicação.
E para você? O que é mente vazia?
Manifeste-se, comente e enriqueça esta reflexão!
Abraços!
Publicado por Juliana Gallicchio em 28/11/2008 às 01h11
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25/11/2008 12h13
Aprendendo a ouvir...
Caro leitor, seja muito bem vindo!
Dias atrás, postei um texto de Rubem Alves "ESCUTATÓRIA" e prometi voltar para comentar e compartilhar a minha reflexão sobre o mesmo.
Como se trata de um longo escrito, vou dividir em partes.
Vamos lá? Destaquei este trecho para o dia de hoje:
"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil."
Cada um de nós tem seu repertório de vida, suas idéias, experiências, filosofias, crenças e culturas. A todo momento os nossos valores internos interagem com os valores externos e neste ambiente interpessoal novas visões de mundo são construídas e descobertas.
...E VIVA A COMUNICAÇÃO!
Uma coisa importante da qual nos esquecemos é que a comunicação se estebelece entre emissor e receptor e estes papéis se invertem, constantemente, para que haja diálogo. O que acontece, cada vez mais, é o desinteresse crescente em relação ao que o "outro" tem a dizer. Enquanto a pessoa fala, nossa mente lógica tenta achar sentido, significado, se preocupa com o que vamos falar em seguida e perdemos a grande oportunidade de OUVIR, APRENDER e COMPARTILHAR. Muitas vezes, o silêncio diz mais do que as palavras e tem muito mais significado.
Até a minha volta, deixarei algumas provocações, para que você possa refletir. Se quiser usar o espaço do comentário para compartilhar a sua reflexão, este, estará aberto:
- Será que essa audição é desprovida de julgamentos?
- Será que ouvimos, de fato, o que a outra pessoa está dizendo?
- Nossa mente, coração e alma estão presentes e abertos para receber a mensagem pura ou a maculamos com nossos "pré-conceitos"?
Vou ficando por aqui, um forte abraço e até breve!
Publicado por Juliana Gallicchio em 25/11/2008 às 12h13
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