Letra Doce

por Juliana Gallicchio

Diário
24/11/2008 21h05
Meu final de semana

Olá, querido leitor!

Como prometi no post anterior a minha viagem, voltei com muitas estórias para contar, tem tanta coisa que quero compartilhar...

Por este motivo decidi fazer diferente, publicarei o detalhe dessa viagem na área "Textos" em "Biografia", dividido em capítulos para que não fique muito cansativo.

Acesse : Danças Circulares - Capítulo I :

http://www.letradoce.com/visualizar.php?idt=1301613

Boa leitura!



Publicado por Juliana Gallicchio em 24/11/2008 às 21h05
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (você deve citar a autoria de Juliana Gallicchio Valerio e o site http://recantodasletras.uol.com.br/autores/julianavalerio). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
22/11/2008 15h30
Minas Gerais
Querido leitor, que bom vê-lo por aqui!

Hoje, estarei no Sul de Minas Gerais, em uma cidade chamada São Lourenço.
Estar entre as montanhas me acalma. Aliás, a natureza tem o dom incrível de nos confortar e nos fazer lembrar das nossas origens, não acha?

Quando voltar terei muito o que contar, assim espero!

Forte abraço!


Publicado por Juliana Gallicchio em 22/11/2008 às 15h30
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21/11/2008 22h42
Sofrendo

Olá, querido leitor!

Hoje não estou tão feliz quanto gostaria. Estou um tanto brava comigo mesma, obstáculos que não venci me causam um grande sofrimento.

Preciso ter mais paciência comigo,entender que existe o tempo certo para as coisas acontecerem, embora eu queira que tudo mude num simples estalar de dedos. Isso não existe! Mas se você for uma fada madrinha ou um gênio da lâmpada, por favor, mande e-mail! (risos)

Desculpe a brincadeira, foi apenas para "quebrar o gelo" e tirar o tom sério destas palavras. Infelizmente, não estou no melhor dia, mas tudo tende a melhorar! Estou em busca disso...

Quero mudanças! Mudar é preciso (aliás, este é o nome de um texto que estou produzindo) Aguarde!

Vou deixar aqui, uma mensagem para você, afinal, não é justo vir me visitar e encontrar toda essa lamúria, não é?

Sobre o sofrimento e o presente :

"QUANDO PENSO EM QUEM EU ERA, PODE HAVER SOFRIMENTO E TAMBÉM SE EU PENSAR A RESPEITO DO FUTURO, MAS QUANDO ESTOU NO MOMENTO PRESENTE, NÃO EXISTE SOFRIMENTO"

Por Ram Dass (após sofrer um derrame que o limitou).

Acho que não é preciso comentar...

Abraços fraternos e até breve!









Publicado por Juliana Gallicchio em 21/11/2008 às 22h42
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19/11/2008 23h47
Escutatória

Leitor amigo, bem-vindo ao dia de hoje!

Escrevo-lhe estas linhas do quarto de um hospital, enquanto espero o fim da cirurgia da minha mãe, como se trata de um procedimento simples, sairá hoje mesmo.

Este ambiente, confesso, não me inspira muito a escrever. Tento buscar um cenário mais agradável dentro da mente, mas sem sucesso. A correria de médicos, enfermeiros e pacientes me distrai.

Como tenho um "compromisso" com você e não quero deixá-lo "na mão", vou indicar uma ótima leitura, talvez já conheça: ESCUTATÓRIA DE RUBEM ALVES

Deleite-se com o texto e com a reflexão que ele proporciona, voltarei em alguns dias para falar sobre ele (embora acredite que ele por si, se basta).


"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.

Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não "evangélico"), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião.

Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino... Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras.

E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem.

No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.

Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar.

Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto."


Publicado por Juliana Gallicchio em 19/11/2008 às 23h47
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18/11/2008 23h23
Silêncio

Querido leitor, que bom vê-lo por aqui!

Lamento informar, mas hoje, eu proclamei o "Dia do Silêncio" no meu diário! Vou aproveitar para seguir os conselhos de um amigo querido que me convidou a refletir, repensar, reconstruir...

Para isso, preciso me recolher, para que no meu silêncio, eu possa me reconhecer.

Um forte abraço!


Publicado por Juliana Gallicchio em 18/11/2008 às 23h23
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