Letra Doce

por Juliana Gallicchio

Diário
17/11/2008 16h26
Paciência
Querido leitor, bem vindo!

Sei que estou devendo dois dias para você e peço desculpas. Infelizmente tenho minhas limitações e nem sempre poderei estar aqui. Apesar de ser um diário, dificilmente, conseguirei atualizá-lo diariamente, paciência...

Por falar em PACIÊNCIA, recebi, via e-mail, um texto do ARNALDO JABOR com este título (eu, particularmente, gosto muito das crônicas que ele escreve). Gostaria de compartilhar com você, a minha reflexão, mas antes, leia na íntegra o que ele escreveu :
 
“Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
 
Por muito pouco a madame que parece uma 'lady' solta palavrões e berros que lembram as antigas 'trabalhadoras do cais'... E o bem comportado executivo?
 
O 'cavalheiro' se transforma numa 'besta selvagem' no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
 
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma 'mala sem alça'. Aquela velha amiga uma 'alça sem mala', o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
 
O cinema se arrasta,  o teatro nem pensar, até o passeio virou novela. Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
 
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou  sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
 
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem  tempo para Deus.
 
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
 
Pergunte para alguém, que você saiba que é 'ansioso demais' onde  ele quer chegar?
 
Qual é a finalidade de sua vida?
 
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
 
E você?   Onde você quer chegar? Está correndo tanto para quê? Por quem? Seu coração vai agüentar?
 
 Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar? A empresa em que você trabalha vai acabar? As pessoas que você ama vão parar?
 
 Será que você conseguiu ler até aqui?
 
Respire, acalme-se, o mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência.”
 
Quando recebi este e-mail (eu que me considero uma pessoa ultra paciente), descobri que já sofro desse mal chamado impaciência. Não chego a ser como a “madame” do Jabor, mas posso notar que minha paciência está curta. Isso se deve, em grande parte, à rapidez das informações que o mundo moderno nos impõe. Em um clique temos respostas para tudo (quase tudo, pois as questões existenciais permanecem e para estas, só nós podemos dar atenção), mesmo porque, assim como não temos tempo para as pessoas elas também não o tem para nos ouvir.
 
Fiquei imaginando como as coisas funcionavam antes do advento da Internet e das telecomunicações. Nunca havia parado para pensar nisso. As lembranças que vieram soaram doces : o telefone tocava, o coração disparava e se enchia de esperança, poderia ser aquela pessoa especial, um amigo querido,um parente distante, a dúvida nos fazia imaginar e nos surpreender ao ouvir a voz que estava do outro lado da linha e quando chegava uma carta? Ah! A recebíamos com alegria, corríamos para o quarto abríamos o envelope e sentíamos o perfume...
 
Claro que a modernidade trás suas “delícias” e facilidades, encurta distâncias (pelo menos é o que dizem), só é preciso cuidado para que não nos transformemos em máquinas. Conservar a solidariedade, repensar os nossos atos e mudar o curso da nossa vida é uma necessidade constante. Pare e pense!
 
A Paciência é essencial, é um grande desafio para aqueles (e eu me incluo) que vivem na “Era da Rapidez” na qual um não tem tempo para o outro.
 
...E assim as pessoas se perdem delas mesmas e das pessoas que lhe são caras.
 
Pense nisso!
 
Abraço e volte sempre!

Publicado por Juliana Gallicchio em 17/11/2008 às 16h26
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